Apesar de ser um tabu aonde homens tem muitas vezes vergonha de assumir que possuem, é um problema que atinge cerca de 40% da população masculina até seus 40 anos de idade. Não, comer coisas apimentadas não faz você ter hemorroidas, bem como nenhuma hemorroida vira câncer.
Não vou explicar tudo sobre hemorroida (você fica expert quando só lê sobre isso durante semanas!) Mas vou deixar uns links interessantes para quem quiser saber mais a fundo. Basta saber que existem 4 graus de hemorroidas, e na grande maioria dos casos é possível reverter sem necessidade de cirurgia, apenas trocando alimentação para evitar fezes duras que machuquem a região, bem como inflamação nas veias.
O meu caso como cito abaixo, é hereditário, então eu sabia que um dia ou outro eu teria que passar pelo procedimento.
http://www.nursing.com.br/hemorroida-causas-e-tratamento/
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/hemorroida
Foi a primeira vez que eu tive esperança que iria melhorar a cada dia.
Não vou explicar tudo sobre hemorroida (você fica expert quando só lê sobre isso durante semanas!) Mas vou deixar uns links interessantes para quem quiser saber mais a fundo. Basta saber que existem 4 graus de hemorroidas, e na grande maioria dos casos é possível reverter sem necessidade de cirurgia, apenas trocando alimentação para evitar fezes duras que machuquem a região, bem como inflamação nas veias.
O meu caso como cito abaixo, é hereditário, então eu sabia que um dia ou outro eu teria que passar pelo procedimento.
http://www.nursing.com.br/hemorroida-causas-e-tratamento/
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/hemorroida
INTRODUÇÃO
Como alguns sabem, eu fiquei internado um tempo atrás por conta de anemia crítica. Eu não detalhei o motivo específico mas foi por conta de hemorroidas internas que não paravam de sangrar. Eu descobri que tenho hemorroidas internas por volta dos meus 19 anos quando ao evacuar notei sangue nas fezes. Marquei um Proctologista que ao fazer o exame de toque constatou o problema. Por ser hereditário apenas cirurgia iria resolver. Meu pai tem assim como meu vô que acabou por operar com 60 e poucos anos após ter uma crise no banheiro em um jogo do palmeiras. Teve hemorragia e foi levado de ambulância ao hospital para uma hemorroidectomia de emergência.Por se tratar de hemorroidas internas, não é comum dor, apenas sangramentos eventuais. Dessa forma fui levando e notava sangue nas fezes poucas vezes ao ano. Até que em 2013 tive uma crise, minha primeira (e única) aonde uma das hemorroidas internas saiu para fora e trombosou. A dor era insuportável! Minha namorada que não sabia ainda ficou sabendo por conta desse episódio aonde a dor era tão intensa que nenhum medicamento de dor parecia resolver. Me foi receitado pomada e o caralho, mas só o tempo (alguns dias) finalmente fizeram a mesma retornar e a dor cessar. Fiquei traumatizado, marquei cirurgia pouco depois porém uma semana antes eu arrumei um emprego e acabei cancelando a mesma. 3 anos depois, continuava levando na boa sem problemas a não ser os sangramentos, esses que haviam aumentado. E a hemorroida que antes era apenas interna, agora ficava sempre para fora e segundo o meu médico havia também surgido algumas poucas externas. Mas como não havia dor nem maiores complicações eu ainda estupidamente fui levando... Até que em 2017 eu tive uma crise aonde evacuava muito mas MUITO sangue... uma quantidade absurda e mesmo assim eu não fiz nada.... Passou uma semana... um mês... e eu ignorando o problema. Até que notei que estava com tonturas demais por qualquer tipo de exercício, tive que parar a bike pois notei que quase desmaiei um dia. E fui no pronto socorro ver o que podia ser.ANEMIA
Fui ao hospital achando que pudesse ser algo cardíaco, pois ao subir um andar de escada eu já ficava ofegante com o coração disparado. Logo que cheguei no hospital (São Camilo) me levaram para fazer um eletrocardiograma. Tudo ok. Passei pela plantonista que pediu um exame de sangue. Quando o resultado chegou? 6.3ng de hemoglobina. Ela não me deixou sair do hospital mais, me informando que eu seria internado em caráter de urgência. Fui internado, fizeram transfusão de uma bolsa de sangue e bastante Noripurum (Ferro) pela veia. Após 4 dias fui liberado tendo que voltar todo dia para tomar 2 doses de Noripurum até que minha hemoglobina voltasse aos níveis normais. Quanto a hemorroida, eu já havia parado de sangrar, mas marquei uma endoscopia e colonoscopia como recomendado pela minha Hematologista afim de confirmar que não existia outro foco de hemorragia. Fiz os exames no mesmo dia e nada foi constatado confirmando 100% que era sangue vindo das hemorroidas internas. Não passou 1 semana e voltei a sangrar novamente, então prontamente marquei com o proctologista (Dr. Paulo Curiati) a cirurgia. O mesmo fez os exames necessários no consultório e me informou o que eu já sabia a anos sobre o pós-operatório. Informou também que iria fazer pelo método de grampeamento e teria que cortar as externas. Então seria um mix da Hemorroidectomia convencional com a de grampeamento (hemorroidopexia)PREPARAÇÂO PARA CIRURGIA
Uma vez com a cirurgia marcada, começou a ansiedade. E eu com ansiedade só consigo pensar no assunto e procurar mais informações. Não demorou para eu estar mergulhando em relatos de quem fez. Devo ter lido cerca de 90 ou mais relatos sobre o assunto. Uma boa parte de brasileiros mas bastante em fóruns gringos também. Incrível a diferença que se dá ao paciente por aqui e nos Estados Unidos por exemplo. Enquanto aqui o costume é utilizar anestesia geral e Raqui (completa paralização dos membros inferiores), lá fora é usado apenas anestesia local, onde você já acorda com dores e em 1 hora já recebe alta para ir para casa! No Brasil você fica de 24h a 48h sob cuidado recebendo analgésicos (opioides) intravenosos garantido que você fique sem dores pelo menos nos primeiros dias. Sobre o pós-operatório era basicamente o que eu tinha lido em 2013, com alguns novos relatos de 2016. E como são geralmente postados em blogspots da vida, os comentários continham mais inúmeros relatos de quem estava passando pelo pós. A cirurgia estava marcada para dia 20/07 às 9 da manhã. Porém eu deveria chegar por volta das 7 para o preparo. Aproveitei o final de semana anterior e esbanjei de comer com a namorada já que sabia que ia ter que ter mais cuidado no pós-operatório.CIRURGIA
Acabei mal conseguindo dormir na noite anterior e por volta das 7 da manhã estava no hospital aguardando em um quarto-leito que me acomodaram. Fui com meu pai e minha namorada. Minutos após entrar no quarto, o enfermeiro chegou me pedindo para tomar banho e vestir a roupa própria para cirurgia, bem como a anestesista veio coletar informações de peso, altura e tirar qualquer dúvida que eu tivesse. Por último veio o Dr. Paulo dizendo que que já estava pronto para começar. Tomei meu banho, vesti o avental e me levaram para o centro cirúrgico. Eu estava bem tranquilo nessa parte pois sabia que o problema seria no pós, porém foi a primeira vez que eu entro acordado em um centro cirúrgico então foi bem estranho. Chegando lá todos da equipe me cumprimentaram, pegaram uma veia no meu braço e logo após eu já estava caindo de sono pela anestesia. Me acordaram para eu ficar sentado e ser aplicado a Raqui. Não senti absolutamente nada, voltei a deitar e apaguei. Acordei algumas vezes, mas o sono estava muito bom e voltava a apagar de novo. Acordei novamente e já estava com as pernas retas de novo e com apenas algumas das pessoas do staff na sala. Perguntei sobre o Dr. mas informaram que ele já havia ido para a próxima cirurgia. Me levaram para uma sala de leitos específica para pós cirurgia onde me informaram que iriam aguardar eu conseguir mover minhas pernas para poder me levar ao meu quarto. Devido ao sono voltei a dormir mas sempre alguem me acordava para me perguntar se eu já conseguia sentir o pé, se conseguia mexer, dobrar a perna etc. Quando finalmente eu consegui dobrar a perna, me levaram para o quarto aonde estava minha namorada, pai e outros familiares me esperando. Estava começando a sentir as pernas porém sem nenhuma dor, e mal cheguei no quarto já me foi aplicado tramal e profenid. Fiquei no quarto dormindo e comendo a maior parte do tempo. Após umas horas já me levantei sozinho e fui urinar, que é uma das preocupações da anestesia Raqui. Caso eu não conseguisse nesse dia, provavelmente iriam ter que colocar uma sonda. Mas felizmente urinei sem maiores problemas. No dia seguinte fui acordado pelo Dr. que me informou que a cirurgia foi um sucesso sem nenhuma complicação (ele já havia avisado minha família no dia anterior). Me passou as instruções de alimentação para os próximos dias, bem como atestado, receitas de remédio etc. Minha primeira pergunta foi qual opioide ele iria me receitar pois eu não iria sair de lá sem alguma receita em mãos. Mas prontamente me tranquilizou me mostrando a receita do Tylex. E eu ainda tinha um pouco de Tramal em casa de alguma vez que utilizei então estava mais tranquilo. Ele já tinha me passado o e-mail dele então podia tirar qualquer dúvida dessa forma. Recebi alta e fui embora tendo ficado no hospital exatas 24h.POS-OPERATÓRIO
Enfim chegamos ao que tanto interessa nesse relato, bem como a parte que mais me interessava lendo outros tantos relatos pela internet. Na hemorroidectomia convencional após a hemorroida ser removida, o buraco é deixado aberto, sim, em CARNE VIVA para cicatrizar sem pontos. Então já podem imaginar a dor que é sentida ao ter que passar fezes né? Se as fezes tiverem duras vai passar rasgando, se tiverem liquidas (diarreia) vai passar ácida. Então o objetivo é sempre manter as fezes pastosas para passar sem ter que fazer força e ter menor dor possível. Eu havia lido tudo sobre a dor que viria nesse pós-operatório mas nada, absolutamente nada me preparou para o que estava por vir. Lembrando que minha cirurgia foi por grampeamento (sem cortes abertos) e a parte exterior foi feito cortes e dados pontos. Li alguns relatos de quem fez por esse método de grampeamento e tido pouquíssima dor. Então eu estava confiante e inclusive cheguei a falar para o Dr. após os papeis de alta: “Poxa Dr. Paulo, se tivesse me falado que o pós do método de grampeamento não era tão dolorido eu nem teria ficado tão nervoso.” Ao qual a resposta foi, olhando pra enfermeira: “Hahaha, vai vendo ele vir me xingar de todos os nomes em alguns dias” Mas mesmo assim eu estava confiante, afinal quão ruim pode ser né? A partir daqui irei dividir o relato por dias:21/07/17
Cheguei em casa normalmente. Sem dores nem desconfortos ainda e fiquei vendo Netflix com a namorada na cama. Como meu setup aqui é uma cama de casal na frente de uma Tv 55” ligado ao meu computador, eu sabia que não ia ter problemas em ficar de repouso por longos períodos. Comi normalmente como me foi instruído pelo médico bem como tomando 1 colher de Metamucil (fibras) 3x ao dia. Esse foi meu primeiro erro. Acredito que por meu estomago sempre funcionar normalmente (evacuar todo dia sem problemas) eu não necessitava me suplementar com fibra. Penso que eu acabei por exceder o recomendado de fibras diárias pois além do metamucil eu estava comendo comidas que já são ricas em fibra. Mas nessa sexta-feira tentei evacuar e não consegui. Não senti dor nem nada, apenas não estava saindo nada e me foi passado para não forçar e deixar sair naturalmente.22/07/17
Comecei a ter um leve desconforto, não era dor, mas digamos que eu estava “sentindo” as movimentações do esfíncter. Estava tendo os conhecidos espasmos comuns nesse operatório e isso começou a me incomodar. Não tinha tentado ir no banheiro mas imaginei que seria hoje. O médico falou que eu deveria evacuar em até 72h da cirurgia. E que se caso não evacuasse entrasse em contato com ele. Bom, eu havia comido várias refeições no hospital, bem como bastante coisas em casa nesses últimos 2 dias. Chegou a noite a vontade finalmente veio. Como eu estava com medo das dores que eu tanto li pela internet, até tomei um Tylex e esperei fazer efeito para ir evacuar. Eu havia comprado uma bacia grande para fazer os banhos de assento, então já deixei separado para quando precisasse. Sentei e me preparei para evacuar. Senti que estava cheio de fezes, porém nada queria sair facilmente. Pensei fodeu! Devem ter ressecado e estarem duras. Eu estava seguindo à risca bebendo bem mais de 2L de líquido diários mas isso não adiantou. Tive que forçar e saiu 2 bolotas quase pretas duras. Meu amigo... nessa força que eu fiz eu vi toda minha vida passar na minha frente de tanta dor. Foi algo que eu não achei que o corpo humano era capaz de produzir! Me senti fraco, as pernas bambas, e por pouco não desmaiei pois senti minha pressão baixar instantemente. Havia mais para sair, porém eu não conseguia nem conceber a ideia de jamais cagar de novo na vida! Liguei o chuveiro quente e me arrastei para o box. Eu não conseguia achar uma posição para sentar na bacia e acabei ficando de joelhos deixando a água escorrer para o **. A dor que eu sentia era algo descomunal que só passava pela minha cabeça os relatos de mulheres que tiveram parto normal dizendo que preferiam ter 10 filhos a passar por essa dor de novo. De homens falando que tiverem dores horríveis em casos de pedras nos rins, e que não chegava perto da dor que seria sentida nesse pós. Eram cerca de 23h e avisei pele celular para minha namorada que eu iria provavelmente ficar um bom tempo por lá. A dor foi piorando e acabei tomando um tramal, e depois de 1 hora outro. Nada! A dor não mudava em absolutamente nada! Hora eu ficava no chuveiro, hora na privada pois forçar para sair mais parecia diminuir a dor. Provavelmente pois ainda tinha mais para sair. Já era por volta das 2 da manhã e finalmente começou a sair. Saiu uma boa quantidade e já corri para encher a bacia e ficar sentado nela, embaixo do chuveiro. Ficava vendo vídeos no youtube, ou lendo relatos sobre a cirurgia para entender mais do que eu estava passando. Deu cerca de 4 horas e eu avise a namorada para irmos na farmácia pois havia lido sobre lidocaína em gel que adormeceria a região. Fui correndo com muita dor de carro na farmácia mais perto e comprei uma lidocaína 5% em pomada. Chegando em casa fui correndo para o chuveiro jogar mais água quente, sequei e passei a pomada. E continuou doendo, acho até que estava ardendo mais e não aguentei e voltei para o chuveiro e banho de assento. Fui dormir por volta das 7 da manhã. Eu havia atingido aquela “fase” de todo relato de hemorroidectomia. A fase “Eu me arrependi e gostaria de voltar no tempo e nunca ter feito essa cirurgia!”. Mas também sabia que pior que isso não ficaria e só tenderia a melhorar dia após dia.23/07/17
Acordei de tarde e as dores haviam sumido deixando apenas um leve incomodo. Passei a tomar Tylex de 12h em 12h com medo das dores que havia sentido. No jantar a família que estava por aqui resolveu pedir pizza e me enchi de tanto comer. E eu havia comido bastante no almoço também. Tive uma leve vontade de ir ao banheiro porem segurei pois ainda não estava pronto para passar por aquilo de novo.24/07/17
Ao acordar tentei ir no banheiro mas não consegui. Final da tarde eu já estava preocupado pois era recomendado após a primeira evacuação, ter uma por dia pelo menos. Resolvi enviar um e-mail ao meu médico que me solicitou tomar 1 saché de Muvinlax a cada 12h. Fiz isso porém chegou de noite e nada. E eu estava sentindo fortes dores abdominais típicas de constipação. E duas coisas que causam muita constipação são, analgésicos, bem como segurar a vontade de ir ao banheiro (resseca as fezes que perdem água para o intestino). Eu em desespero tomei mais 2 saches de Muvinlax e me enchi de água, mas ainda nada. Eu sentava na privada, fazia força mas parecia ter algo prendendo. Acabei pesquisando na internet e fui comprar supositório de glicerina. Minha primeira tentativa de uso não gerou sucesso pois em 5 minutos já fui tentar evacuar por conta de dores e ele saiu por inteiro além de sentir uma dor imensa. Acabei tentando de novo, inserindo ele e ficando sentado no banho de assento até por 1 hora para fazer efeito. Tentei me distrair vendo vídeos e cerca de 40 minutos depois uma vontade forte. Sento na privada e faço muita mas muita força, de ficar com a cara vermelha sem ar. Finalmente saiu... uma quantidade homérica de bosta. Uma delas tinha o tamanho do meu pulso fechado, não conseguia entender como aquilo passou por mim e não estourou todos meus pontos. Fiquei lá por mais algumas horas sentado no banho de assento com água quente correndo pelo chuveiro. A dor havia sido MUITO menor que o da primeira vez. O banho de assento dessa vez funcionou quase que instantaneamente. Bastou sentar e relaxou muito e a dor praticamente sumiu.
Foi a primeira vez que eu tive esperança que iria melhorar a cada dia.
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